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V SIEHL

  • Foto do escritor: Diego Carlos Zanella
    Diego Carlos Zanella
  • 4 de fev.
  • 3 min de leitura

05.11.2025

Discurso de na abertura do V Seminário Internacional Ensino de Humanidades e Linguagens | SIEHL

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É com a emoção de quem navega em mares recém-descobertos que, na qualidade de Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens, lhes dou as mais calorosas boas-vindas. Chegamos a novembro de 2025, e o calendário não marca apenas a realização de um evento acadêmico; ele sela o nosso encontro na vertigem do novo, no ponto exato em que a memória humana e a inteligência do silício se abraçam em um destino ainda incerto.

O tema que nos convoca “Ensino, Linguagens e Diversidade na Era da Inteligência Artificial” não é uma pauta, é um mapa de estrelas e sombras. Se a história da civilização foi escrita com o grafite do gesto humano, a nossa era começou a ser digitada pelo algoritmo, pelo código que se expande, pela máquina que não apenas repete, mas sugere, que não só armazena, mas cria. Estamos diante do “monstro domado” ou, quem sabe, de um novo espelho, forjado no ferro e na fibra, em que nos vemos refletidos em uma escala ampliada e, por vezes, distorcida.

A nossa essência, contudo, permanece ancorada na Linguagem: esse rio vivo, múltiplo, que corre para além da sintaxe perfeita. O desafio é sublime: enquanto a IA produz textos, a Humanidade produz o Sentido. É nosso dever, como educadores e humanistas, “despertar leitores” na alma da juventude, garantindo que o fascínio pelo digital não sufoque a paixão pela leitura profunda, aquela que forja o pensamento crítico e a autonomia da alma. Precisamos ir além da decodificação para alcançar a Alquimia da palavra que transforma o ser.

E neste cenário de algoritmos vorazes, que se alimentam do que já existe, a Diversidade e a Inclusão se erguem como o nosso farol inegociável. A máquina, se não for ensinada com ética e rigor filosófico, perpetua vieses e amplifica as sombras do preconceito, repetindo erros históricos. É aqui que o nosso papel se torna revolucionário: o debate sobre a “cidade educadora” e “educação antirracista” não pode mais ser periférico; ele é a bússola moral que deve orientar cada linha de código, cada base de dados e cada prática pedagógica. A máquina só conhece a média; nós, as Humanidades, conhecemos a exceção que liberta, a voz singular que tece a riqueza do mundo.

A Filosofia, portanto, se senta à nossa mesa em tempos de crise global, questionando o que é ser humano quando a função é automatizada. O ensino não pode sucumbir ao medo nem ao mistério; deve ser a ponte que transforma o “monstro” em ferramenta, o desafio em oportunidade. E que cuidado devemos ter com “a infância e suas múltiplas linguagens em tempos de IA”! A gestão pedagógica contemporânea tem a missão de proteger o tempo do brincar, o tempo do erro criativo, o espaço para as linguagens não-verbais que o algoritmo ainda não sabe catalogar. O futuro da educação não está na velocidade do processamento, mas na profundidade do afeto e da mediação humana.

Permitam-me, neste instante, abrir um parêntesis de profunda gratidão e celebração. Este V Seminário, que olha para o horizonte do amanhã digital, é também um marco de memória e resistência. Ele é o palco onde iniciamos a comemoração dos 10 anos de fundação do nosso Programa de Pós-Graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens, que será celebrado no próximo ano, em 2026. Esse período de tempo marca uma década dedicada à pesquisa sobre o Ensinar e o Dizer, sobre o gesto que transforma. E, ao fazê-lo, reverenciamos também a história maior que nos abriga: celebramos os 70 anos de fundação da nossa Universidade Franciscana, o solo fértil onde fincamos raízes, e saudamos os cursos de Letras e Pedagogia, que também celebram seus 70 anos, os quais são pilares da formação humana, cujas histórias se entrelaçam com a nossa própria e cuja vitalidade se renova a cada ciclo. O passado nos dá a força; o presente, a urgência; e o futuro, a responsabilidade.

E nesse momento, gostaria de chamar aqui comigo as coordenadoras dos cursos de Letras e Pedagogia para suas considerações.

[espaço para o discurso das coordenadoras dos cursos de Letras e Pedagogia]

Que estes três dias, 05, 06 e 07 de novembro, sejam um tempo de suspensão e reinvenção. Que nossas discussões, desde a Ética até as possibilidades de Inclusão, nos permitam construir uma visão de futuro em que a tecnologia sirva à mais nobre das causas: a plena realização do potencial humano, em toda a sua complexidade, diversidade e inesgotável capacidade de criar sentido.

Declaro, assim, em nome do PPGEHL e de toda a comunidade acadêmica, aberto o V Seminário Internacional em Ensino de Humanidades e Linguagens. Que o diálogo nos ilumine.

 
 
 

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